FEBEAPÁ  (Febeapá) escrito em quinta 02 abril 2009 10:15

 

Febeapá é uma expressão criada pelo grande Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto. Sérgio foi cronista, escritor, radialista e compositor. Seu trabalho era conhecido pelo humor e sarcasmo com que retratava as imbecilidades que acontecem nesse país de celenterados. Febeapá significa Festival de Besteiras que Assola o País. Era o termo que ele usava para designar as coisas que só aqui acontecem e, embora absurdas, são tidas como soluções. A ditadura era o principal alvo de Sérgio e grande colaboradora do Febeapá.

Sérgio era uma pérola nascida entre os porcos e, por isso, resolvi dar o nome de Febeapá a nova categoria de postagens do Blog. Evidentemente, o imitador não tem a pretensão de ser tão brilhante quanto o criador. Quero apenas homenageá-lo. Para quem deseja ter uma idéia do teor do Febeapá, aqui vão alguns exemplos do que esse gênio, morto dois anos antes de meu nascimento, enquadrava nessa categoria.

"‘Os jornalistas deveriam apanhar da polícia não só durante a passeata, mas antes também. Eles são incapazes de reconhecer o valor da polícia. Os fotógrafos, por exemplo, nunca fotografam os estudantes batendo no policial."

Declaração feita pelo Secretário de Segurança de Minas Gerais, coronel Joaquim Gonçalves.

"A mini-saia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o Delegado de Costumes (inclusive costumes femininos), declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira ‘para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas’. E acrescentava furioso: ‘A tradição de moral e pudor dos mineiros será preservada sempre’. “

Um deputado estadual – Lourival Pereira da Silva – fez um discurso na Câmara sobre o tema "Ninguém levantará a saia da Mulher Mineira.”

 


 

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Saudades? Voltei!  (Geral) escrito em quinta 02 abril 2009 09:41

Olá caros amigos. Estive ausente por um tempo, mas não resisti à tentação de meter o malho nessa tal de "raça humana".  Pensei seriamente em desistir do Blog porque eu acabo sendo muito mais ácido do que divertido e o ideal é o equilíbrio entre os dois. Quero sim rasgar o véu da hipocrisia que recobre os olhos da massa e da imprensa, mas eu gostaria de mais sutil, mesmo correndo o risco de não ser entendido. Bom, vou tentar. Preparem suas mentes para as pedradas. Só que, dessa vez,  virão embrulhadas em papel.

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Ano Novo, Tudo velho!  (Política) escrito em terça 30 dezembro 2008 14:56

Prezados amigos, 2008 já era! 2009 está aí e o mundo e as pessoas continuam as mesmas, imutáveis. Gostaria de escrever uma mensagem otimista mas a "humanidade" não me permite. Entra ano, sai ano e as atrocidades cometidas por vocês continuam as de sempre. Massacres e limpeza étnica na África, guerras em nome de Deus no Oriente Médio, os USA "pacificando" aqui ou acolá... Sinceramente? Graças a Deus eu não sou humano. E se disser o contrário eu te processo. Nunca ouse me comparar com essas criaturas imundas que se devoram por, por... por causa de que mesmo? Nem sequer se sabe.

Essa história da opressão dos palestinos por Israel já está me cansando. Se eu pudesse me comunicar lá, acho que entrava para o Hamas. Aí, os hipócritas de carteirinha, ignorantes que só sabem o que lhes conta a televisão, me dirão: “Coitados dos judeus, eles são atacados pelos muçulmanos e só revidam.” Pois imaginem ter a terra aonde todas as gerações de sua família roubada e entregue a uma família de judeus somente para “pagar” o que os nazistas fizeram com eles. Aquela região, Palestina, Israel ou como desejarem chamar, sempre foi habitada por todos os povos. Lá é a Judéia, onde o rei David unificou todos os povos.

Uma vez herdada a terra e criada Israel, os judeus cercaram e oprimiram os demais e a faixa de Gaza nada mais é do que um pedaço de terra entre o mar e o muro que Israel construiu para isolá-los. Imaginem-se vivendo em uma cela. É como vivem os palestinos, sem contato com o mundo exterior, sem emprego, passando fome, tendo luz de quatro a seis horas por dia. Sem remédios, sem combustível, sem nada. Imaginem viver dessa maneira. Os palestinos só esperam a morte, mesmo sem serem atacados estão morrendo pois só entra lá o que Israel permitir. Você ficaria sentado esperando a morte chegar ou tentaria matar o seu “carcereiro”? Sabendo que vai morrer a míngua você não colocaria cintos repletos de dinamite e os detonaria o mais perto possível das pessoas que te humilham te oprimem?

Enquanto tudo isso ocorre o resto do mundo não faz nada. Nem na palestina, nem na África, nem em nenhum outro lugar aonde eles não são ameaçados. Agora vai dizer que está com um programa nuclear em andamento! Na mesma hora convocam uma reunião do conselho de segurança e criam resoluções aonde você está isolado do resto do mundo. Quando são os pobres e miseráveis que estão morrendo, os poderosos, sentados em suas cadeiras de presidente, atrás de suas enormes mesas de mogno, redigem cartas de desagravo e de repúdio as ações bélicistas de A, B, ou C. Mais e mais pessoas estão sendo mortas pela ganância, pela intolerância e pelo simples prazer de oprimir o mais fraco. Tudo isso acontece porque quem tem poder quer mostrar que tem, que faz porque pode e só vai parar se pedir com jeitinho. Se falar grosso ele joga uma bomba em você também. Apenas para demonstrar que pode, que faz e ninguém se mete. Pelo menos não de verdade.

Isso é ser humano? Estou fora! Feliz Ano Novo.

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As Sapatadas da Concórdia  (Política) escrito em quinta 18 dezembro 2008 10:49

Parafraseando nosso querido presidente, eu diria que "nunca antes na história desse planeta" um ato de agressão foi tão aceito, tão comemorado quanto as sapatadas desferidas pelo jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi. Todos sabem o desprezo que tenho por essa classe de "profissionais". Não tenho nenhum pudor em dizer que são todos umas marionetes de seus patrões. Felizmente, toda regra tem exceção e nosso bravo iraquiano é uma delas. Pena que ele não tenha acertado a lata do Bush, mas o gesto valeu, e como valeu. Certa vez, em um artigo nesse blog, eu disse invejar um jogador austríaco que ganhou, por ter feito um gol, suprimento vitalício de cerveja. Pois bem, novamente me vejo tomado por esse pecado capital. Mesmo sabendo que não causaria dano maior que o moral, e para Bush isso não seria nada, pois só se pode ofender a honra de quem a tiver, o nosso grande “Munta” teve a ousadia de agredir o canalha mais poderoso do mundo. E não pensem que foi um ato de loucura temporário, um de seus irmãos confirmou que ele premeditou o ato e o nosso herói sequer tentou dizer algo em sua defesa, apenas confirmou o feito.

 É certo que virá uma punição exemplar. A pena aplicada deve ser a mais dura que existir no código penal iraquiano (se é que eles tem isso), mas aquele povo está acostumado a ter e ser mártir.

O moral da história é que, apesar do abismo sem fim no qual a humanidade despenca, ainda existe honra, dignidade e coragem.  

 

 
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Parei de Fumar  escrito em sábado 13 dezembro 2008 21:58

Em uma desesperada tentativa de prolongar minha tragicômica saga por esse mundo sádico e cruel resolvi parar de fumar. Já tinha feito isso antes e fiquei quatro belos e saudáveis anos sem esse maldito vício. Porém, minha vida virou de cabeça para baixo e eu acabei pegando a muleta novamente. Já queria parar a bastante tempo mas não conseguia ter a força necessária.

Dessa vez foi tão ou mais difícil que da outra. Precisei dar um tempo na cerveja pois  na primeira ocasião em que eu ficasse meio grogue minha força de vontade acabaria. Tive inúmeros pesadelos. Em um deles eu chegava na padaria aonde comprava cigarros regularmente e ela não existia mais, tinha se tornado uma loja de produtos naturais. Em outro um casal de amigos fumante e pinguço estava na praia comigo e eles não paravam de fumar e beber um único minuto.  Os nervos ficaram a flor da pele e me elogiar se tornou um ato bastante perigoso.

Outro dia fui a uma festa, a primeira  como ex-fumante. Depois de me sentar, a primeira coisa que fiz foi colocar a mão no bolso procurando os cigarros. Já se passaram uns setenta e cinco dias e ainda tenho vontade de fumar, os pesadelos são menos freqüentes mas ainda me visitam, os fumantes me constrangem, intimidam. Não consigo encarar alguém que tenha um cigarro entre os dedos. Mas estou agüentando, espero que para sempre. Quer um conselho? Nunca tenha vícios. O viciado sempre será escravo do vício, mesmo que o abandone. Não poder se aproximar de algo porque sabe que aquilo te domina é muito ruim e frustrante, sem contar que você desejará aquela coisa pelo resto da sua vida e, se ousar tocá-la, ela te dominará novamente. Ainda tem mais, você tem que mudar de ares, dar um tempo ou, dependendo do vício, abandonar seus antigos amigos. Um viciado em cocaína, por exemplo, não pode continuar convivendo com os seus colegas de vício. Seus amigos vão te criticar, dirão que você está diferente, que não para mais com eles. Não conseguem compreender que você está tentando se libertar e que isso te deixa doente. Seu corpo se revolta contra você e é preciso vencê-lo. Mas o mais difícil mesmo é ter a força necessária para não ceder. Amigo, nem te conto.

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